Grupo Scheffer tem agricultura regenerativa certificada em MT

 Presente no Município de Sapezal (480 km a Noroeste de Cuiabá), no Chapadão do Parecis, uma planície agricultável em Mato Grosso marcada pela diversidade de atividades produtivas e altos índices de produtividade, a Fazenda Três Lagoas, da Scheffer, é a primeira propriedade rural brasileira a ser certificada por suas práticas de agricultura regenerativa.

A conquista é atestada pela Control Union, certificadora global com mais de 200 programas que, em 2020, lançou o regenagri.

O programa certifica e monitora o desempenho regenerativo de empresas ligadas ao agronegócio durante cinco anos por meio de um hub digital.

Além de apoiar produtores e empresas do segmento na transição para técnicas agrícolas mais sustentáveis, o regenagri, avalia a procedência ambiental, garante que os produtos são cultivados de forma sustentável, e que os produtores também trabalham para melhorar ativamente da saúde do solo com as boas práticas da agricultura regenerativa.

Atualmente, a Scheffer conta com uma área produtiva total de 4.055 hectares monitorados, nas culturas de algodão e soja.

A empresa possui uma equipe especializada que atua exclusivamente com a agricultura regenerativa no desenvolvimento de técnicas para expandir para todas as outras Unidades de Produção da empresa.

Inicialmente, as práticas começaram a ser realizadas em uma área de 480 hectares.

Os bons resultados puderam ser vistos a olho nu: vários insetos benéficos, inimigos naturais, minhocas e fungos do solo reapareceram.

Além disso, no ciclo 2019/20 a aplicação de químicos nas lavouras de soja diminuiu 53% e nas áreas de algodão, 34%, sem alterar os índices médios de produtividade.

"Percebemos que a agricultura convencional está menos rentável e sustentável. A cada ciclo, é preciso aumentar o uso de químicos no controle sanitário, o que, ao mesmo tempo, aumenta a capacidade de resistência de pragas e doenças. A única solução é preservar, nutrir e usar a biodiversidade a nosso favor", argumenta Guilherme Scheffer, diretor da empresa.

Muitas das técnicas agrícolas consideradas regenerativas já são aplicadas pela Scheffer em todas as suas unidades produtivas.

A empresa tem reduzido o uso de insumos químicos e ampliado o emprego de defensivos biológicos contra pragas e doenças das lavouras.

Além disso, pratica o plantio direto, no qual a semeadura é feita diretamente no solo com palhada, sem arar ou gradear a terra – entre outras iniciativas sustentáveis.

O desafio, agora, é ampliar as práticas ainda mais, mantendo o desempenho econômico-financeiro da empresa.

"O hub digital do regenagri nos permite ver as iniciativas que já funcionam e podem ser ampliadas e onde devemos melhorar, investindo ainda mais", explica o executivo.

A empresa também adequou sua infraestrutura produtiva.

Hoje, a Scheffer conta com um laboratório próprio para análise de microrganismos e uma indústria de biodefensivos que produz, armazena e já distribui produtos biológicos para as outras unidades da companhia, e a sua Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI) que reaproveita 100% de seus resíduos.

A água é destinada para irrigação de jardins, e o resíduo sólido é decomposto para gerar o biochar, usado como adubo nas lavouras.

Recentemente, adquiriu uma mineradora de fósforo, que produz um fertilizante 100% nacional, sem adição de químico e de alta solubilidade, que resulta em uma liberação gradual do fósforo, minimizando a fixação do nutriente no solo e fornecendo fósforo para a cultura ao longo de todo seu ciclo.

Com mais essa frente de atuação nós mostramos que sim, é possível, oferecer mais fontes diversificadas de nutrientes que permitem o aumento da diversidade e densidade de organismos benéficos do solo

Thatiana Felski é a responsável pela certificação do padrão na Control Union no Brasil, coordenando as equipes de especialistas auditores.

"A Scheffer está visivelmente avançando em suas práticas regenerativas e o programa atesta essa evolução. Com importantes diferenciais mesmo em comparação com players mundiais: a produção ocorre em larga escala, mantendo-se os índices de produtividade sem que haja subsídio público, como ocorre em vários países. Além disso, está em uma região tropical com condições climáticas que favorecem o ataque de pragas e doenças se comparada a regiões de clima temperado e tudo isso mantendo a saúde do solo", comenta Felski.

AGRICULTURA REGENERATIVA - Conjunto de práticas agrícolas que permitem manter e recuperar a ‘saúde’ do solo, melhorando suas propriedades físico-químicas e aumentando biodiversidade nativa.

Pode ser definido a partir de quatro aspectos: o aumento da matéria orgânica no solo, uma preservação da biodiversidade local, o sequestro de carbono e a gestão de recursos hídricos.

Na base, está o conceito de que um ecossistema saudável é composto por plantas menos vulneráveis ​​uma correção fitossanitária com boa produtividade.

REGENAGRI  - Lançado mundialmente em 2020, quando uma União de Controle completou 100 anos de atividades, o programa de certificação em agricultura regenerativa regenagri apoia e empresas do agronegócio na transição para técnicos agrícolas mais sustentáveis, avaliação a procedência ambiental e garantia que os produtos são cultivados de forma sustentável, além de melhorar ativamente a saúde do solo.

O hub digital permite aos participantes identificar o status atual de suas práticas agrícolas em relação à saúde do solo e da biodiversidade nativa.

A base usada de referência para o sistema de pontuações do programa é um extenso levantamento sobre as boas práticas regenerativas por todo o mundo.

SCHEFFER  - Com mais de 30 anos de atividades, a Scheffer tem sede em Cuiabá e oito unidades produtivas distribuídas entre Mato Grosso, Maranhão e Colômbia, totalizando 225 mil hectares de área cultivada para a produção de soja, algodão, pasto, bovinocultura e eucalipto.

A produção de algodão é a principal atividade: é uma das maiores produtoras de algodão do País.

O volume produzido é 100% certificado pela Better Cotton Iniciative (BCI) e pelo Algodão Brasileiro Responsável (ABR).

Além do cultivo, a Scheffer beneficia a pluma em cinco algodoeiras próprias, com capacidade de 800 toneladas / dia.
Fonte: Diário de Cuiabá