Industriais franceses querem investir em Mato Grosso

 Economia verde, alimentos, biocombustíveis, energia, manejo florestal, mineração, construção: esses são alguns dos setores que despertam o interesse de investidores franceses por Mato Grosso. O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo de Oliveira, apresentou as principais oportunidades econômicas do Estado nesta quarta-feira (05), no VI Fórum Econômico Brasil-França, em Paris – e ficou surpreso com a grande receptividade do público.

“É impressionante como todos aqui estão com grandes esperanças na iniciativa do governo brasileiro de atrair investimentos estrangeiros. O Brasil está abrindo uma nova fronteira para o desenvolvimento mundial em diversas áreas, como infraestrutura, saneamento, economia verde, parcerias público-privadas e outras”, comentou. Um dos principais receios do investidor, no entanto, é a segurança jurídica. “Fomos questionados e cobrados sobre a necessidade de garantir que não haja mudanças de regras frequentes”, alerta.

Um dos destaques para Mato Grosso foi o anúncio do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, de que as ferrovias Fico e Ferrogrão farão parte de um lote com pelo menos 105 projetos de concessão ou privatização que será liberado em novembro deste ano. O governo espera atrair de R$400 a R$450 bilhões em investimentos para o país com esses projetos. Até agora, já foram concedidos 147 projetos, gerando US$65 bi em investimentos e US$13,5 bi em valor de outorga para a União, de acordo com o ministro.

Ele destacou a diretriz de aumento da participação do setor privado na economia, com redução no tamanho do Estado e descentralização de recursos de modo a priorizar estados e municípios. De acordo com o ministro, trata-se de um esforço para o país, que passa por qualificação da mão-de-obra, modernização institucional, muito investimento em inovação, aumento da concorrência – principalmente em algumas áreas nas quais o setor público tem monopólio – abertura para novos atores empresariais e grandes investimentos em infraestrutura.

MATO GROSSO EM DESTAQUE - Convidado como painelista para o tema “Oportunidades de Parceria nos Estados Brasileiros”, Gustavo de Oliveira abordou o potencial de Mato Grosso em diversas áreas, com ênfase na economia verde, incluindo a necessidade de obras de infraestrutura, diversas possibilidades em energia limpa, construção civil e outras áreas.

“Também deixamos claro que em Mato Grosso existem atrativos que buscam compensar a nossa distância dos grandes mercados e as dificuldades com a logística. A redução do imposto renda por estar na área da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, além dos incentivos fiscais nos impostos estaduais, são exemplos de atrativos que precisam ser mantidos. O momento era de grande importância para falar sobre o que temos de positivo e fortalecer nossa imagem”, afirmou Gustavo. “Isso faz parte do papel da Fiemt, buscar investidores que possam ajudar a promover a industrialização e o desenvolvimento socioeconômico de Mato Grosso, e se consolidar como interlocutora desses investidores”.

Como o Fórum foi realizado no Dia Mundial do Meio Ambiente, a iniciativa Produzir, Conservar e Incluir (PCI) fez parte da apresentação, assim como o setor de biocombustíveis, pois são temas que despertam a curiosidade do público-alvo do evento, de acordo com Gustavo. Ele também divulgou o encontro Amazônia +21, que será realizado pela Ação Pró Amazônia em 2020.

NOVOS RUMOS - O presidente do Conselho Empresarial Brasil França e do Movimento das Empresas da França (Medef), Alexis Duval, abriu o Fórum destacando a importância do Brasil para as empresas francesas, que já investiram mais de 24 bilhões de euros no país, geram mais de 500 mil empregos, investimentos todos de longo prazo e de todo tamanho, grandes, pequenas e médias. Ele reafirmou a importância para as empresas, além da segurança jurídica, do momento que o Brasil vive de uma pauta econômica mais liberal, de forte apoio do governo ao crescimento econômico, buscando o controle da inflação e priorizando o reequilíbrio das contas públicas.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, destacou que o país começou a traçar novos rumos para a economia desde 2016, já aprovou reforma trabalhista, tem uma agenda de controle dos gastos públicos e a partir da posse do presidente Bolsonaro e de um Congresso 50% renovado, diversos justes estão sendo feitos no Executivo e no Legislativo. “O principal foco agora é a reforma de Previdência, mas também trazer segurança jurídica. Destacamos também a participação muito importante do Brasil na OCDE, tudo isso trazendo boa perspectiva de recepção aos investimentos franceses”, disse.

Sobre o Fórum - Realizado pela CNI e sua congênere Medef, o VI Fórum Econômico Brasil-França reuniu lideranças empresariais dos dois países, com o objetivo de fortalecer a cooperação para aumentar o volume do intercâmbio comercial e dos investimentos recíprocos, por meio da promoção de um ambiente fluido e previsível de negócios.