Famílias de Mato Grosso vão consumir R$ 78,8 bilhões em produtos e serviços esse ano

 Consumo de produtos e serviços movimenta trilhões de reais por ano no Brasil. Em Mato Grosso, os gastos familiares farão circular R$ 78,890 bilhões na economia em 2019, mais (9%) que no ano passado. A estimativa é do IPC Maps – especializado no cálculo de índices de potencial de consumo nacional -, traçada com base no índice de inflação do IPCA de 3,89%. No último ano, os consumidores mato-grossenses investiram R$ 72,379 bilhões na compra de produtos e serviços, 7% acima do total previsto para 2017 (R$ 67,608 bilhões) pelo IPC Maps. Nos últimos 20 anos, a demanda interna por produtos e serviços expandiu gradativamente, com atualização de preços. O reflexo disso está no aumento de 1.077% no desembolso dos mato-grossenses nesse período. Comparado com a despesa total de R$ 6,697 bilhões em 1999, a população mato-grossense gasta 6 vezes mais atualmente com o consumo de bens e serviços, aponta a pesquisa.

Principal fonte de gastos dos mato-grossenses é a manutenção do lar, que inclui aluguéis, impostos, luz, água e gás. Nessa categoria serão consumidos R$ 20,145 bilhões este ano, mais (9,54%) que em 2018 (R$18,390 bilhões). Essa categoria absorve a maior parcela de recursos desembolsados pela população local, independentemente da classe de consumo. É mais significativa, porém, nas classes C e D/E.

Ao mapear os hábitos de consumo da população local, o IPC Maps revela que a 2ª principal categoria de gastos concentra os pagamentos de prestações de compras a prazo, classificadas na pesquisa como “outras despesas” e que demandarão R$ 14,055 bilhões este ano, 7,79% acima do ano passado, quando alcançou R$ 13,039 bilhões. Esse tipo de gasto é preponderante nas famílias com maior poder aquisitivo, pertencentes às classes A e B.

A alimentação no domicílio é a 3ª principal categoria de consumo e movimentará R$ 7,976 bilhões este ano. Em comparação com 2018, quando foram desembolsados R$ 7,259 bilhões com gêneros alimentícios, os gastos aumentam em 9,87% em 2019.

Outros destaques são os gastos com materiais de construção (R$ 4,403 bilhões), com veículos próprios (R$ 4,145 bilhões), alimentação fora do domicílio (R$ 2,835 bilhões), vestuário confeccionado (R$ 2,430 bilhões), medicamentos (R$ 2,202 bilhões), higiene e cuidados pessoais (R$ 1,897 bilhão), eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos (R$ 1,489 bilhão), viagens (R$ 1,273 bilhão), mobiliários e artigos do lar (R$ 1,208 bilhão) e transportes urbanos (R$ 1,043 bilhão).

“Nossos gastos aumentaram este ano por causa do aumento de preços”, reclama a funcionária pública Rosemeire Amorim, 51. Na casa onde residem 4 pessoas, apenas duas estão trabalhando, relata ela. “Uma das minhas filhas e o meu marido estão desempregados”. A família de Rosemeire têm na energia elétrica a principal fonte de gastos. “Já pedimos vistoria da rede elétrica e instalação de um padrão novo, porque a conta de luz vem muito alta. Tivemos vários equipamentos elétricos que queimaram”. Por mês, o valor da fatura da residência da servidora pública oscila entre R$ 400 e R$ 500. “Temos 3 aparelhos de ar condicionado, que são ligados normalmente à noite”. Como não possuem prestações de compras a prazo para pagar, a 2ª principal fonte de gastos é com alimentação. “Hoje compramos a mesma quantidade de produtos no supermercado, até menos, gastando mais”, desabafa.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, Rosemeire calcula um desembolso 50% maior atualmente nas idas ao supermercado. No caso do microempresário Jonathan Jordon, 25, as compras parceladas no cartão de crédito é o que mais pesa no orçamento doméstico. Muitas vezes, até os gastos com alimentação são pagos com o dinheiro de plástico. Entre as principais despesas mensais da família, ele inclui o combustível, em torno de R$ 200. “Minha despesa com energia elétrica diminuiu 60% este ano, porque eu deixei de usar ar condicionado, que troquei por umidificador e ventiladores”.

Diretor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio/MT), Junior Macagnam, observa que o aumento da demanda por produtos e serviços depende da melhora do poder aquisitivo da população, impactado pelos atuais indicadores de desemprego. Segundo ele, a demora do governo federal em aprovar reformas estruturantes -da previdência e tributária -desmotiva o segmento empresarial a retomar investimentos, diminuindo as chances de criação de novos postos de trabalho. “Esse bate-boca e polarização (no debate) entre esquerda e direita não está fazendo bem para o país”.

A Gazeta (foto: Só Notícias/arquivo)