Produção industrial de Mato Grosso cresce 29% em relação ao ano passado

 A produção industrial mato-grossense cresceu em outubro quase 6 vezes mais que a média brasileira. Comparado com igual mês de 2016, o setor estadual expandiu a atividade em 29,1%, contra a média nacional de 5,3%, na mesma base comparativa. Dez dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intensificaram a produção, liderados por Mato Grosso. O resultado é impulsionado principalmente pelos avanços em produtos alimentícios, especialmente tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja, óleo de soja bruto, carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, carnes e miudezas de aves frescas ou refrigeradas e rações, aponta o IBGE.

Conforme a presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), Margareth Buzetti, a agroindústria mato-grossense cresce acima dos demais segmentos industriais, que também são influenciados pela produção agropecuária. “Este ano tivemos uma supersafra, que puxa todos os segmentos para cima”. Atrelado à isso, ela registra que as condições econômicas do país melhoraram e que algumas medidas aprovadas pelo governo federal, como a reforma trabalhista, estimula a confiança dos empresários. “A economia está desvinculada da política. Em novembro tivemos resultados muito bons em Mato Grosso e em dezembro também”.

Além de Mato Grosso, destaca-se ainda a expansão em outubro da produção industrial do Pará (17,1%), influenciada pelo desempenho das indústrias extrativas, principalmente minérios de ferro em bruto ou beneficiados. Outros estados com resultados positivos acima da média nacional são Amazonas (12,2%), Rio de Janeiro (10,9%), Goiás (10,7%), Santa Catarina (9,1%), Ceará (7,2%), São Paulo (6,8%), Paraná (4,2%) e Minas Gerais (3,1%). Por outro lado, em Pernambuco (-6,1%) houve o recuo mais intenso, pressionado, em grande parte, pelo comportamento negativo da atividade de produtos alimentícios como açúcar cristal, VHP e refinado de cana-de-açúcar. As demais quedas foram na Bahia (-3,7%), Espírito Santo (-3%), Rio Grande do Sul (-2,2%) e região Nordeste (-1,1%).

No acumulado de janeiro a outubro, frente a igual período de 2016, a expansão na produção nacional (1,9%) alcançou 12 dos 15 locais pesquisados, com destaque para o avanço de 2 dígitos assinalado pelo Pará (10,5%). Paraná (5%), Mato Grosso (4,6%), Santa Catarina (4,1%), Rio de Janeiro (3,7%), Amazonas (3,5%), Goiás (3,5%), São Paulo (2,5%), Espírito Santo (2,5%) e Ceará (2,3%) também registraram crescimento acima da média da indústria, enquanto Minas Gerais (1,7%) e Rio Grande do Sul (0,6%) completaram o conjunto de locais com resultados positivos no fechamento dos 10 meses do ano.

Nesses locais, o maior dinamismo foi particularmente influenciado por fatores relacionados à expansão na fabricação de bens de capital, notadamente aqueles voltados para o setor de transportes, para construção e agrícola, além de bens intermediários (minérios de ferro, petróleo, celulose, siderurgia e derivados da extração da soja), bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos da linha marrom) e de bens de consumo semi e não duráveis (calçados, produtos têxteis e vestuário).

O menor resultado no acumulado do ano foi verificado na Bahia (-3%), sendo a região Nordeste e Pernambuco também mostraram taxas negativas (-0,9%, para ambos) nesse indicador. De acordo como o IBGE, o acumulado dos últimos 12 meses (1,5%) até outubro de 2017 assinalou o 2º resultado positivo consecutivo e o mais elevado desde março de 2014 (2,1%), prosseguindo com a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016 (-9,7%). Em termos regionais, 12 dos 15 locais pesquisados mostraram taxas positivas em outubro de 2017.

Os principais ganhos entre setembro de 2016 e outubro de 2017 foram registrados por Mato Grosso (de -0,2% para 3,6%), Amazonas (de 1,6% para 3,5%), Goiás (de -0,3% para 1,4%), Ceará (de 0,5% para 1,9%), Espírito Santo (de 0,4% para 1,8%), Minas Gerais (de 0,3% para 1,6%) e Pará (de 9,2% para 10,5%), enquanto Pernambuco (de -0,1% para -0,7%) assinalou a única redução entre os 2 períodos.